Cadernos de TCI
"As frequências rádio-eléctricas de Rio do Tempo"
(Relatório completo: " O relatório completo foi publicado em inglês nos Nºs 41, pp. 77-88 e 42, pp. 29-43, de Cadernos de TCI" )
As frequências rádio-eléctricas de Rio do Tempo.
A emissão proibida.
Conclusão
Este estudo surge do meu interesse pessoal pelo caso da Dra. Anabela Cardoso, uma vez que, devido à minha ignorância no assunto, tinha a idéia bastante ingénua de que tudo o que se relatava podia ser ou uma fraude ou um equívoco.
Quando pensava sobre o fenômeno, a minha idéia inicial, confusa, era a de que as vozes recebidas pela Dra. Anabela Cardoso provinham de emissões de rádio-amadores. Esta idéia desapareceu rapidamente quando verifiquei que os rádio-amadores têm uma extensão de banda que não compreende nenhuma das frequências descritas no texto. Além disso, havia outra dúvida: como podiam as vozes ouvir as perguntas colocadas pela Dra. Anabela Cardoso, e responder às suas perguntas, se ela não tem um rádio transmissor?
A minha hipótese de fraude baseava-se no raciocínio de que existia a possibilidade de alguém estar numa das salas da casa, podendo assim ouvir as perguntas da Dra. Anabela e transmitir as respostas às suas perguntas através de um rádio transmissor. Este raciocínio colapsou rapidamente, quando verifiquei as frequências em que os seus rádios estavam sintonizados, uma vez que o uso de essas frequências é proibido por lei para as emissões de rádio-amadores. Por conseguinte, parecia realmente estranho que a instituição encarregada do controle do espectro radio-eléctrico emitisse uma licença de emissão numa frequência reservada para uso do Estado, para que alguém cometesse uma fraude.
Além de toda esta informação, existe ainda um elemento que rompe com a lógica da comunicação, tal como a entendemos. A primeira coisa que estudamos numa disciplina relacionada com a comunicação, é que nesse processo tem de haver um emissor, que é a pessoa que quer transmitir a mensagem, e um receptor, que é a pessoa encarregada de recebê-la. No caso de transmissões de rádio, a emissão realiza-se de tal modo que o emissor transmite numa frequência que pode ser ouvida por toda a gente que sintonize a frequência de emissão. É capaz de imaginar que o locutor de rádio responda directamente às perguntas que lhe faz em sua casa?
Quando a comunicação por rádio é produzida para a escuta de rádio, a comunicação só adquire sentido se o emissor enviar a mensagem e o receptor a receber. É totalmente impossível ao emissor responder a perguntas postas pelo receptor, visto que o receptor é tecnicamente incapaz de transmitir. Mas esta não é a única razão que faz das vozes directas um caso extraordinário. Além disso, as vozes saltam de uma frequência para outra, dentro dos valores citados na Tabela 1[1], enquanto emitem a mensagem. Isto é a mesma coisa do que se uma pessoa, a ouvir uma transmissão de rádio, ouvisse uma frase do locutor de rádio numa determinada frequência e tivesse de sintonizar outra frequência para ouvir a frase seguinte do mesmo locutor.
Todas as razões citadas acima fazem deste acontecimento um caso extraordinário do ponto de vista técnico, e descartam a possibilidade de fraude ou mal-entendido. Se juntarmos o conteúdo das mensagens a tudo o que foi dito, podemos também rejeitar a origem humana das transmissões, a não ser que alguém seja capaz de provar o contrário.
* (Tradução de “Conclusiones” do artigo original em espanhol).



